domingo, 28 de fevereiro de 2010

O JEJUM E A ABSTINÊNCIA

Neste inicio de Quaresma queremos indicar este texto com explicações práticas extraído do site da Capela N.S. da Conceição de Dom Lourenço Fleichman OSB.



Com o intuito de fazer penitência por nossos pecados, de melhor nos dispor para a oração e de estar unidos aos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Igreja nos pede, nos tempos de penitência, que ofereçamos jejum e abstinência a Deus.
O Jejum:
Praticado desde toda a Antiguidade pelo povo eleito, como sinal de arrependi­mento, praticado por Nosso Senhor Jesus Cristo e por todos os santos, recomendado pela Santa Igreja como instrumento de santificação da alma, de controle do corpo e equilíbrio emocional, o jejum obrigatório foi sendo reduzido ao longo dos séculos. Quando devemos jejuar por obrigação?
Na Quarta-feira de cinzas, abertura da Quaresma.
Na Sexta-feira Santa, dia da morte de Nosso Senhor.
No entanto, todos os católicos devem ter a mortificação e o jejum presentes em suas vidas ao longo do ano, principalmente durante o Advento, a Quaresma e nas Quatro Têmporas, tendo sempre o espírito mortificado, fugindo do excesso de conforto e prazeres e, na medida do possível, oferecendo alguns sacrifícios a Deus, seja no comer, no beber, nas diversões (televisão principal­men­te), nos desconfortos que a vida oferece (calor, trabalho, etc.), sabendo suportar os outros, tendo paciência em tudo.
Assim sendo, mesmo não sendo obrigatório, continua sendo recomendado o jejum nas Quartas e Sextas da Quaresma e do Advento, guardando-se sempre o espírito pronto para as pequenas mortificações também nos demais dias.
Quem deve jejuar?
As pessoas maiores de 21 anos são obrigadas. Mas é evidente que os adolescentes podem muito bem oferecer esse sacrifício sem prejuízo para a saúde.
Quanto às crianças menores, mesmo alimentando-se bem, devem ser orientadas no sentido de oferecer pequenos sacrifícios, e acompanhar a frugalidade das refeições.
As pessoas doentes podem ser dispensadas (é sempre bom pedir a permissão ao padre).
As pessoas com mais de sessenta anos não têm obrigação de jejuar, mas podem fazê-lo se não houver perigo para a saúde.
Como jejuar nos dias de jejum obrigatório?
- Café da manhã mais simples que de hábito: uma xícara de café puro, um pedaço de pão, uma fruta.
- Almoço normal, mas sem carne (peixe pode), sem doces e sobremesas mais apetitosas, sem bebidas alcoólicas ou refrigerantes.
- No jantar, um copo de leite ou um prato de sopa, um pedaço de pão, uma fruta.São inúmeras as passagens das Sagradas Escrituras referentes ao jejum.
Eis algumas poucas referências:
- II Reis XII,16
- Tobias XII,8
- Daniel I, 6-16
- S. Mateus IV,1
- S. Mateus VI, 17
- S. Mateus XVII,20
- Atos XIV,22
- II Coríntios VI,5
A Abstinência de carne
Dentro do mesmo espírito de mortificação, pede-nos a Santa Madre Igreja a mortificação de não comer carne às sextas-feiras, o ano todo, de modo a honrar e adorar a santa morte de Nosso Senhor. (ficam excluídas as sextas-feiras das grandes festas, segundo a orientação do padre).
A abstinência ainda é praticada e, diferente do jejum, começa desde a adolescência, a partir dos quatorze anos.
Nas sextas-feiras do ano, e mais ainda durante os tempos de penitência, saibamos oferecer esse pequeno sacrifício a Nosso Senhor. Se vamos a um restaurante, peçamos peixe (muitos restaurantes ainda hoje servem pratos de peixe nas sextas-feiras).
O Jejum eucarístico
O jejum eucarístico é o fato de se comungar sem nenhum alimento comum no estômago, em honra à Santíssima Eucaristia.
O espírito do jejum eucarístico é de receber a Santa Comunhão como primeiro alimento do dia. Quando o Papa Pio XII modificou a disciplina do jejum eucarístico, devido à guerra, salientou que todos os que podiam deviam praticar esse jejum, chamado natural : só tomar alimento depois da comunhão. Quem assiste à Santa Missa cedo pode, muitas vezes, praticar esse jejum.
Apesar da lei eclesiástica em vigor determinar apenas uma hora antes da comunhão para o jejum eucarístico, todos os padres sérios pedem a seus fiéis que se esforçem para deixar três horas, visto que uma hora não chega a ser nem mesmo um sacrifício.
Caso as crianças ou pessoas debilitadas precisarem tomar algo antes da comunhão, com menos de três horas, procurem, ao menos, tomar apenas líquido, um copo de leite, por exemplo. Porém, tendo se alimentado com menos de uma hora antes da hora da comunhão, não se deve, de modo algum, se aproximar da Sagrada Mesa.
O jejum, a abstinência e o confessionário
Como o jejum e a abstinência fazem parte dos mandamentos da Igreja, devemos nos empenhar para praticá-los por amor de Deus. Caso haja alguma negligência ou fraqueza da nossa vontade que nos leve a quebrar o santo jejum ou a abstinência, devemos nos arrepender por não termos obedecido ao que nos ordena nossa Santa Madre Igreja, confessando-nos por termos assim ofendido a Deus.
Nos casos de esquecimento, devemos substituir essa obra por outra equivalente, como fazer o jejum em outro dia, rezar um terço, etc.É sempre bom lembrar que a água pura não quebra o jejum.
As pessoas inclinadas à mortificação e ao jejum não devem nunca determinar um aumento de penitência sem o consentimento explícito do sacerdote responsável. O demônio usa muito o excesso de penitência corporal para enfraquecer a alma. Tudo fazer na obediência.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Virgem Santíssima do Bom Sucesso




No longínquo século XVI chegaram à cidade de Quito, no Equador, cinco freiras vindas da Espanha, acompanhadas de uma menina ainda postulante, chamada Mariana, para fundar o Mosteiro da Imaculada Conceição. Favorecida com graças especiais, perseguida tenazmente pelo demônio, ela se tornou símbolo da luta pelo bem entre suas irmãs de hábito e mais tarde foi eleita priora do convento. Teve que enfrentar péssimas freiras que se revoltaram contra ela, a caluniaram e chegaram a jogá-la na prisão do convento.
No dia 02 de fevereiro de 1594, à uma hora da madrugada, Madre Mariana de Jesus Torres rezava prosternada com a face no chão, quando percebeu que alguém estava diante dela. Uma voz doce chamou-a pelo nome. “Era uma belíssima dama sustentando em seu braço esquerdo o menino-Deus, segurando com a mão direita um báculo de ouro adornado de pedras preciosas.” Essa dama disse: “Sou Maria do Bom Sucesso.” Nossa Senhora deu o menino - Jesus para Madre Mariana que O apertou contra o seu coração. A Virgem Maria ali ficou até as 3 horas da manhã. Mandou então que fosse esculpida uma imagem para representá-la: “É vontade de meu Filho Santíssimo que tu mesma mandes executar uma estátua minha, tal como vês, e a coloques sobre a cátedra da Priora. Colocareis em minha mão direita o báculo e as chaves da clausura, em sinal de minha propriedade e autoridade. Colocarás em minha mão esquerda o meu Divino Filho. Eu mesma governarei este meu convento”. Prometeu que a devoção a Ela, sob o nome de Nossa Senhora do Bom Sucesso, seria o para-raio entre a justiça divina e o mundo prevaricador.
A pedido da Rainha dos Anjos e para saber que altura deveria ter a imagem a ser esculpida, madre Mariana retirou o cordão que lhe cingia a cintura e com ele mediu com as próprias mãos a altura da Mãe de Deus. “Dê-me o cordão franciscano que trazes na cintura” – disse lhe a Virgem. No mesmo momento os três Arcanjos, São Miguel, São Gabriel e São Rafael, que A assistiam, fizeram uma profunda reverência diante de Nossa Senhora, e com enorme respeito ergueram a coroa. Ela, então, tomou o cordão e colocou uma das extremidades sobre sua cabeça e ordenou que Madre Mariana tocasse com a outra nos seus pés. Ora, como o cordão era muito curto, houve um milagre e ele esticou-se até alcançar a altura exata da Virgem.
“Aqui tens, minha filha, a medida de tua Mãe do Céu... explique minhas feições e minha postura... Tu, de tua parte, ajuda-o (o escultor)
com tuas orações e com teu humilde sofrimento”.
Cheia de encanto, a Madre tomou aquela preciosíssima relíquia, e durante toda a vida a levou consigo.
Tendo o escultor iniciado a obra não conseguia conclui – lá. Entretanto, na madrugada do dia 16 de Janeiro de 1611, vieram os três Arcanjos e a completaram miraculosamente. Pouco depois, Nossa Senhora em pessoa penetrou na imagem e esta como que tomando vida cantou o Magnificat. Isso aconteceu às 3 horas da manhã. Tudo foi presenciado por Madre Mariana. Na manhã desse dia as freiras do convento ouviram melodias harmoniosas e o claustro todo iluminado por uma luz celestial; outro sopro, outras mãos haviam modelado aquela maravilha.
No dia seguinte, quando o escultor chegou e viu a imagem assim concluída, caiu de joelhos e exclamou: “Madre, que vejo? Esta primorosa Imagem não é obra minha! Não sei o que sente o meu coração, mas é obra angélica, pois um trabalho desse gênero não se pode produzir na terra com mão de frágil barro. Oh não! Escultor algum, por hábil que seja, poderá jamais imitar sequer tanta perfeição e tão maravilhosa beleza”.
Levantando-se em seguida, pediu um papel e tinta para lavrar um documento, jurando que aquela bendita Imagem não fora obra sua, mas de anjos, porque a encontrara acabada e de outra maneira, que não era aquela deixada no coro superior do mosteiro.
Várias outras aparições se sucederam, nas quais a Virgem Santíssima, em pleno século XVI e o começo do século XVII, falou das terríveis provações que haveria no terrível século XX. A imoralidade e a falta de Fé estariam por toda a parte: “No século XIX – em seu término – e em grande parte do século XX, várias heresias se propagarão por estas terras, então república livre. Apagar-se-á nas almas a luz preciosa da Fé, por causa da corrupção quase total dos costumes. Nesse tempo haverá grandes calamidades, físicas e morais, públicas e privadas. O restrito número de almas nas quais se conservará o culto da Fé e das virtudes sofrerá um cruel e indizível padecimento, a par de prolongado martírio...
“Nestes tempos, a atmosfera estará saturada do espírito de impureza, o qual a maneira de um mar imundo, correrá pelas ruas, praças e lugares públicos, numa liberdade assustadora, de tal modo que não haverá no mundo almas virgens...
“Para libertar da escravidão dessas heresias, aqueles a quem o amor misericordioso de meu filho Santíssimo destinar para esta restauração, precisarão ter grande força de vontade, perseverança, coragem e muita confiança em Deus. Para por a prova, nos justos, esta Fé e confiança, haverá momentos em que tudo parecerá perdido e sem possibilidade de andar. Então será o princípio feliz da restauração completa... Terá chegado a minha hora, na qual, de maneira magnífica e impressionante, destronarei o soberbo satanás, colocando-o sob meus pés, acorrentando-o no abismo infernal, e libertando por fim a Igreja e a pátria dessa cruel tirania”. (apud “El Ecuatoriano”, 04-04-1951).
Ao longo dos séculos a Sagrada Imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso não só protegia o convento da Imaculada Conceição de Quito, mas foi penhor de contínuas graças para a cidade e para todo o país.
Sobre a Virgem do Bom Sucesso narram às freiras um fato maravilhoso: às vezes, pela manhã, as extremidades de Seu manto aparecem molhadas a indicar que durante a noite andou Ela pelos jardins do convento, como boa priora, a vigiar, impregnando assim Seu manto com o orvalho da madrugada.
O que impressiona nas revelações de Nossa Senhora do Bom Sucesso é a previsão de fatos que se cumpriram nos séculos seguintes, entre os quais cumpre destacar a descrição da crise e dos castigos previstos em Fátima para os nossos dias.
Muitos são os fiéis que recebem graças pela intercessão de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Em nossos dias podemos, e é claro, devemos pedir a Nossa Senhora por todas nossas necessidades particulares, por nossa família, pelos jovens, por nossos amigos e benfeitores, enfim, tudo o que necessitamos, mas, sobretudo, pedir para que Nossa Senhora do Bom Sucesso abrevie os presentes dias de calamidade.



Oração de São Bernardo


Lembrai-vos ó piíssima Virgem Maria que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido a Vossa proteção, implorado Vossa assistência e reclamado Vosso socorro, fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a Vós, ó Virgem entre todas singular, como minha Mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso de meus pecados, me prosto a Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas. Ó Mãe do filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que Vos rogo. Assim Seja.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Caríssimo leitor e seguidor!

Anuncío um novo desafio!

Em breve teremos uma "revista" com leituras espirituais, página aos Jovens,leituras bíblicas, meditações, leitura mariana etc. Já estamos caminhando para desafio.
Para a primeira edição sera uma grande alegria enviar gratuitamente aos amigos e seguidores do nosso orkut e blog,um exemplar para que conheçam a revista e nos ajudem a divulgar a doutrina e os ensinamentos da nossa Fé Católica.
Por este motivo deixo aqui uma pergunta e um pedido de apoio neste sentido. Posso contar com você? Vamos espandir nossa Fé e auxiliar a Santa Igreja na salvação das almas?
Envie sua opinião e resposta a este convite para o nosso e-mail ou deixe seu comentário no fim desta nota:
defendeinos.nocombate@gmail.com
Contamos com sua participação e apoio nesta "cruzada" em defesa da Fé Católica Apostólica Romana!


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

“Eu vos anuncio uma grande alegria: nasceu o Salvador, que é o Cristo Senhor”





Belém de Judá (Palestina) –– Ano 1 da era cristã.

É inverno. Fora da cidade, rebanhos de cabras e carneiros são vigiados por rudes pastores, os quais, na entrada da noite, recolhem seus animais em cavernas ou sob as saliências dos rochedos, muito abundantes naquela região calcária, para protegê-los das intempéries e da investida de animais ferozes.

A cidade, sentada como rainha no cume de uma colina de setecentos metros de altura, faz jus a seu nome:

Belém Ephrata, isto é, a fértil casa do pão. Suas encostas sorriem com a abundância de suas vinhas e olivais, ela é rica em suas colheitas. É nessa fértil casa do pão, numa daquelas cavernas, reclinado em uma manjedoura, que acaba de nascer Jesus Cristo, o pão vivo dos homens, descido do Céu!

Aqueles pastores, deserdados da fortuna, são muito mal vistos pelos judeus das sinagogas. Com efeito, vivem como nômades, longe do Templo e das casas de oração, sem condições de se conformarem à observância estrita dos ritos judaicos. E isso era inadmissível para um fariseu!

Contudo, entre eles havia almas retas e corações puros. E aconteceu que naquela noite alguns velavam e guardavam o seu rebanho. “E eis que apareceu junto deles um Anjo do Senhor, e a claridade de Deus os envolveu, e tiveram grande temor. Porém, o Anjo disse-lhes: Não temais, porque eis que vos anuncio uma grande alegria, que terá todo o povo. Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc. 2, 8-11).

* * *

A noite ia em seu meio. As trevas tinham chegado ao auge de sua densidade. Tudo em torno dos rebanhos era interrogação e perigo. Quiçá alguns pastores, relaxados ou vencidos pelo cansaço, estivessem dormindo. Entretanto, outros havia a quem o zelo e o senso do dever não consentiam o sono.

Subitamente, uma luz apareceu para estes e os envolveu. Toda a sensação de perigo se desfez. E lhes foi anunciada por um Anjo a solução por excelência para todos os problemas e todos os riscos. Muito mais do que os problemas e os riscos de alguns pobres rebanhos ou de um pequeno punhado de pastores. Muito mais do que os problemas e os riscos que põem em contínuo perigo todos os interesses terrenos.

Sim, foi-lhes anunciada a solução para os problemas e os riscos em relação ao que o homem tem de mais nobre e mais precioso, isto é, a alma. Os problemas e os riscos que ameaçam, não os bens desta vida –– que, cedo ou tarde, perecerão ––, mas a vida eterna, na qual tanto o êxito quanto a derrota não têm fim.

Esses pastores, esses rebanhos, essas trevas, lembram a situação do mundo no dia do primeiro Natal.

* * *

Numerosas fontes históricas daquele tempo longínquo nos relatam que se apoderara de muitos homens de então a sensação de que o mundo havia chegado a um fracasso irremediável, de que um emaranhado inextricável de problemas fatais lhes fechava o caminho, de que estavam em um fim de linha além do qual só se divisava o caos e a aniquilação.

O mais cruciante da situação em que se encontrava o Mundo Antigo não estava em que os homens não tivessem o que queriam. Consistia em que, grosso modo, dispunham do que desejavam, mas depois de terem feito laboriosamente a aquisição desses instrumentos de felicidade, não sabiam o que fazer deles. De fato, tudo quanto haviam desejado ao longo de tanto tempo e de tantos esforços, lhes deixava na alma um terrível vazio. Mais ainda, não raras vezes atormentava-os. Pois o poder e a riqueza de que não se sabe tirar proveito para a glória de Deus servem tão-só para dar trabalho e produzir aflição.

Assim, em torno dos homens, tudo eram trevas. –– E nessas trevas, o que faziam eles? –– O que fazem os homens sempre que baixa a noite. Uns correm para as orgias, outros afundam no sono. Outros, por fim –– e quão poucos ––, fazem como os pastores zelosos: vigiam, à espreita dos inimigos que saltam no escuro para agredir; apressam-se para lhes dar rudes combates; oram com as vistas postas no céu escuro, e as almas confortadas pela certeza de que o sol raiará por fim, dissipará todas as trevas, eliminará ou fará voltar a seus antros todos os inimigos que a escuridão acoberta e convida ao crime.

No Mundo Antigo, entre os milhões de homens esmagados pelo peso da cultura e da opulência inúteis, havia homens de escol que percebiam toda a densidade das trevas, toda a corrupção dos costumes, toda a inautenticidade da ordem, todos os riscos que rondavam em torno do homem, e sobretudo toda a loucura a que conduziam as civilizações baseadas na idolatria.

Essas almas de escol não eram necessariamente pessoas de uma instrução ou de uma inteligência privilegiadas. Pois a lucidez para perceber os grandes horizontes, as grandes crises e as grandes soluções, vem menos da penetração da inteligência do que da retidão da alma.

De tal situação, davam-se conta os homens retos de então, para os quais a verdade é a verdade, e o erro é o erro. O bem é o bem, e o mal é o mal. As almas que não pactuavam com os desmandos do tempo, acovardadas pelo riso ou pelo isolamento com que o mundo cerca os inconformados. Eram almas deste quilate, raras e esparsas um pouco por toda parte, que vigiavam naquela noite, oravam, lutavam e esperavam a Salvação.

Esta começou a vir para aqueles pastores fiéis.

O velho mundo, adorador da carne, do ouro, e dos ídolos, morria. Um mundo novo nascia, baseado na Fé, na pureza, na ascese, na esperança do Céu.

Nosso Senhor Jesus Cristo resolverá tudo.

* * *


Nos tristes dias em que vivemos há ainda, daqui, dali e acolá, homens de boa vontade autênticos, que vigiam nas trevas, que lutam no anonimato, que fitam o Céu esperando com inquebrantável certeza a luz que voltará!

Esses homens de boa vontade ignotos, esses genuínos continuadores dos pastores de Belém, entendam como dirigidas a si próprios as palavras do Anjo: “Não temais, porque eis que vos anuncio uma grande alegria: nasceu o Salvador”.


Fontes de referência:

1. Cônego Duarte Leopoldo e Silva, Concordância dos Santos Evangelhos, Escola Typographica Salesiana, São Paulo, lª edição, 1903.

2. Plinio Corrêa de Oliveira, “Luz, o grande presente” in “Folha de S. Paulo”, 26-12-7l.

3. R. P. Berthe,Jésus-Christ - Sa vie, sa passion, son triomphe, Librairie Téqui, Paris, 57ª edição, 1924.

4. Ferdinand Prat, Sj. Jésus-Christ – Sa vie, sa doctrine, son oeuvre, Beauchesne et ses Fils, Paris, 16ª edição, 1947.

5. Santo Antonio Maria Claret, Selectos panegíricos, Librería Religiosa - Imprenta de Pablo Riera, Barcelona, 1860, tomo I.